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sábado, 26 de março de 2011

LIVRO E LEITURA TÊM DE PASSAR PELO CORPO...

ÔNIBUS-BIBLIOTECA DESTACA
 TEXTO DO ESCRITOR
 ADRIANO MESSIAS:

Se o livro e a leitura não passarem pelo corpo, nada de nossos esforços se efetivará.

Veja que neste mundo hipertextualizado ainda não surgiu nenhum Shakespeare na internet - e são tantos os que carregam a bandeira das facilidades e das benesses do mundo virtual.

Será por quê?

Porém, parece que os grandes homens ainda se farão no silêncio das linhas, segurando e rabiscando um livro, preenchidos pelos rumores de tudo o que se revela no conjunto insuspeito das palavras.

Por isso, o livro não irá desaparecer.

Por isso, precisamos mostrar aos bibliotecários que, se não levarem o corpo em consideração, todo estímulo à leitura será em vão.

É preciso folhear, cheirar, rabiscar, sangrar o livro, e tirar de vez por todas a ritualística sacra que se instaurou há séculos em torno do objeto livro - que a muitos ainda amedronta e afugenta.

O livro, desde Gutenberg, e mesmo antes, sempre foi apêndice do corpo, extensão dos dedos e janela do olhar.

Enquanto os homens esticam os pescoços na forma de telescópios e microscópios para investigarem o não visto, é o livro que rompe definitivamente com a barreira do invisível e, só por ele, conseguimos devastar outros mundos.

Mas isso só acontecerá se virarmos nossos corpos junto com as folhas...

(* Não é uma apologia ao império exclusivo do livro, mas uma lembrança a nós todos, internautas apaixonados, de que nossa relação com o livro impresso é muito mais orgânica do que com a tela estática do computador.)
./././././././././././././././.
Texto enviado por e-mail.
 
Muito obrigado, Adriano Messias!
 
 
Até a próxima parada!
Ônibus-Biblioteca: onde se lê por prazer, também.

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