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terça-feira, 25 de maio de 2010

ALONSO ALVAREZ E JOÃO GOMES DE SÁ: DOIS BONS ESCRITORES NO JARDIM ÂNGELA.


Fotos e texto: João B. A. Neto

Segunda-Feira, dia 24 de maio, Ônibus-Biblioteca sai da Mooca rumo ao Jardim Ângela, zona sul da cidade. É mais um belo dia de sua incansável missão: espalhar o gosto pela Leitura nos roteiros que percorre, na periferia de São Paulo. E hoje dois bons escritores vão ilustrar um dia bem literário na vida de nossos leitores e visitantes, principalmente de crianças e adolescentes...

 
 Pelo caminho, os elementos de uma paisagem simples, mesmo com toda sua quietude, nos dizem muita coisa. Por exemplo: por onde andam nossas crianças e jovens?...  


Para uma boa pergunta, uma boa resposta: uma parte, nesse momento, está no Ônibus-Biblioteca. Os adolescentes da foto acima foram buscar algo mais porque eles têm sede de informações que poderão ajudá-los na construção de conhecimentos...

E informações não faltaram. O escritor Alonso Alvarez escolheu um cantinho bem acolhedor, dentro do Ônibus, para conversar sobre suas criações literárias, além de destacar a importância do ato de ler em todas as fases da vida, inclusive para a carreira profissional...

 Está muito nítido o grau de interesse dos jovens pelas palavras de Alonso.Tanto meninas quanto meninos quiseram saber mais sobre o ato de escrever, também... 

Adolescentes gostam disto: um papo informal, sem aquele didatismo que muitas vezes não consegue responder às pequenas curiosidades. E eles encontraram um bom escritor com sensibilidade para tal, tanto que ele, após o encontro, lá no Jardim Ângela, escreveu estas impressões:

"Uma porta mágica aberta na M´Boi Mirim

 

Percorrer a Estrada do M´Boi Mirim é como acelerar num autorama – parece que não tem fim. Ela se perde na periferia de São Paulo e então chegamos ao bairro Jardim Ângela, antigamente tido como um dos mais violentos. No alto do número 4.000, encontramos o Ônibus-Biblioteca estacionado na M´Boi Mirim, como um elefante amarelo, sorridente, que está com a barriga cheia de livros. A manhã de sol deixa o ônibus em evidência na praça – é percebido por todos, e algumas pessoas começam a entrar. Muitas para trocar livros lidos ou não na semana. Outras, pela primeira vez, pois o convite é irrecusável.

A minha oficina, com o livro A Paixão de A e Z - Uma história de amor no alfabeto, não encontrou crianças de 6 anos, como eu esperava. Algumas até apareceram, acompanhadas de adultos, escolheram livros e foram embora. Mas adolescentes do 2º ano do 2º de grau, de duas escolas próximas, passaram por lá e foram ficando, fazendo roda, conversando sobre livros, profissões e futuro. Conversamos por quase duas horas. Escolheram mangás e romances juvenis. Quando se foram, fiquei com seus endereços de verdade; nenhum deles deixou e-mail.

Aquela porta do Ônibus-Biblioteca aberta naquela praça tem algo que encanta, pensei nisso, pois tem muita sorte que entra por ela e depois volta para o mundo com um livro para ler."

A PAIXÃO DE A E Z


Uma história de amor no alfabeto
ALONSO ALVAREZ

Infantil
Ilustrações: MARCELO CIPIS
Editora: PEIRÓPOLIS
ISBN: 9788575961759
Formato: 22 X 24 cm
Páginas: 36 coloridas
Orelha com régua do alfabeto

QUE HISTÓRIA TEM NO LIVRO?

Em A paixão de A e Z – Uma história de amor no alfabeto, Alonso Alvarez narra a história de amor entre as duas letras e a dificuldade de estarem juntas, pois além de "morarem" nos extremos do alfabeto, palavras capazes de uni-las não são ditas todo dia. Com os sinais gráficos transformados em personagens, fica menor a distância entre o pequeno leitor e o abecedário. Para ilustrar a história, a editora convidou Marcelo Cipis, que dá corpo a tão abstratos personagens com humor e leveza.


QUEM ESCREVEU?

ALONSO ALVAREZ nasceu em São Paulo, capital. É autor de literatura infantojuvenil e editor, atuando à frente da Ficções Editora. Já teve três livrarias em Sâo Paulo, entre elas, a primeira livraria noturna do Brasil, no antigo Bairro do Bexiga. Já editou grandes escritores, como César Vallejo, Nicolás Guillén, Fernando Pessoa, Jorge Luis Borges, Augusto de Campos, Manoel de Barros e Paulo Leminski, e com a coleção ptyx (1991), ganhou oPrêmio Jabuti de Melhor Produção Editorial. Venceu o II e o III Encontro Brasileiro de Haikai (1987 e 1988), participou de antologias de haicai (brasileira e latino-americana) e publicou o livro Hé - Haikais, com Camila Jabur. Ilustrou o livro infantil A lua no cinema, de Paulo Leminski. Em 2005 lançou o juvenil O Encanto da Lua Nova, selecionado pela FNLIJ(Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil) para participar do catálogo e da 43rd Bologna Children's Book Fair 2006, com o selo Obra Altamente Recomendável.

QUEM ILUSTROU?

MARCELO CIPIS nasceu em São Paulo, capital. Atua como autor e ilustrador de livros e como artista plástico. Participou da XXI Bienal de São Paulo(1991), da Bienal de Havana em 1994 e da exposição Brazilian Contemporary Art no Japão, em 1993. Venceu o Prêmio Jabuti com os livros Como água para chocolate e De passagem (Cia. das Letrinhas). Em 2000 ganhou a bolsa para artistas da Pollock-Krasner Foundation e em 2001 lançou seu primeiro livro de ilustrações, 530g de ilustrações, pela Ateliê Editorial. Fez parceria com a consagrada escritora Fanny Abramovich no livroÁlbum de figurinhas (Senac/Ática). Site do autor: www.marcelocipis.com.br.

A HORA E A VEZ DE JOÃO GOMES DE SÁ

O dia estava mesmo para a Leitura, e também para a música: o grande cordelista João Gomes de Sá alegrou o ambiente do Ônibus-Biblioteca com seu violão, além de oferecer um pouco de seu vasto conhecimento sobre a Literatura de Cordel... 

Pelo olhar dos jovens,  eles gostaram do que ouviram...

João Gomes de Sá respira Cordel. Ele, talvez por ser também professor, tem facilidade no trato com jovens, o que facilita muito a transmissão daquilo que ele quer passar aos jovens, principalmente. Como sempre, João Gomes traz novidades. Saiu do forno maravilho "Alice no país das maravilhas", em cordel..

 

 Alice no país das maravilhas em cordel: o mais recente trabalho de João Gomes de Sá.

Clássico Infantil é Recriado em Cordel


A editora Nova Alexandria lançará, dia 6 de março, na Livraria da Vila da Alameda Lorena, o livro infantil Alice no País das Maravilhas, de João Gomes de Sá, que revisita o universo mágico criado pelo escritor britânico Lewis Carroll. Esta versão em cordel vem enriquecida com ilustrações do conceituado artista plástico Marcos Garuti.

Abaixo trechos da apresentação:

Alice no País das Maravilhas tornou-se, desde o seu lançamento, em 1865, um grande clássico da literatura infantil. Seu autor, o inglês Charles Lutwidge Dodgson, usou o pseudônimo literário Lewis Carroll. Sua obra principal, sucesso imediato e retumbante, chegou às mãos da rainha Vitória, da Inglaterra, que fez questão de conhecer as demais obras do autor. Antes de Alice, Dodgson escrevera apenas tratados de Matemática.

A história, ao longo de mais de um século, foi adaptada várias vezes para o cinema. Virou filme de animação dos Estúdios Disney em 1951.

O cineasta Tim Burton dirigiu uma versão excêntrica, que estreou em 2010. A primeira adaptação, no entanto, foi um filme mudo rodado no Reino Unido em 1903.
(...)


Alice em cordel

João Gomes de Sá, um dos mais respeitados cordelistas da atualidade, é o autor da versão em cordel de Alice no País das Maravilhas. O poeta, atento às soluções criativas do texto original, reconstruiu algumas situações, emprestando características nordestinas à protagonista, aos personagens e cenários. O início já dá uma amostra do que vem a seguir: Alice, em perseguição ao Coelho Branco, não cai num poço, mas numa cacimba encantada”. O Gato de Cheshire ou Gato Risonho, mesmo conservando o dom da invisibilidade, é um típico repentista nordestino.

Para compor o personagem, João se inspirou no cantador paraibano Sebastião Marinho. Alice ainda encontra, na estranha terra, maravilhas que remetem ao clássico cordel ‘Viagem a São Saruê’, do poeta paraibano Manoel Camilo dos Santos (1905-1987). A estrofe, reproduzida abaixo, mostra essa fusão:

Por lá viu rios de leite,


Montanhas de goiabada,


Castelos de rapadura,


E árvores de marmelada.


Suspirou muito porque


Somente em São Saruê


Tal riqueza era encontrada.


O Chapeleiro Louco, personagem de grande importância no original de Carroll, tem, aqui, “O mesmo céu estrelado/ Do chapéu de Lampião”.


Na versão do nosso cordelista, os tacos-flamingos e as bolas-ouriços do jogo disputado entre a Alice e a Rainha de Copas se transmutam em seriemas e tatus-bolas, animais da fauna brasileira.


Mais informações:


www.novaalexandria.com.br
Fone (11) 2215 6252
Fonte: http://fotolog.terra.com.br/marcohaurelio:193

Até a próxima parada!

Ônibus-Biblioteca: onde se lê por prazer.

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