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quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Sérgio Sá e Cacá Lopes no J. Vaz de Lima: lá caiu uma chuva musical.

Terça-feira, dia 26, o Ônibus-Biblioteca pega o caminho rumo ao Jardim Vaz de Lima, distrito de Jardim São Luiz, zona sul da cidade.

Tudo normalíssimo, apesar de temporais de fim de tarde, já tão familiares. Mas era final de manhã, e esse roteiro, hoje, teria algo mais, diríamos pra lá de especial. O que seria? Bem, antes vamos apontar parte do caminho que nos levaria ao pote com favos de mel, fresquinhos...

Fotos e Texto de João B. A. Neto

Manhã quase fresca vai levar o amarelinho ao tal pote...


Antes, passou perto de metrô totalmente suspenso: a modernidade sentido Capão Redondo...

Enveredou por ruas tortuosas: onde muitas vezes a beleza está "escondida" no simples...

Estacionou, graças ao motorista Valdeílson, que prefere não aparecer, em sua conhecida parada: Jardim Vaz de Lima. Um certo moço monta seu cenário...

Esse moço é o estrondoso CACÁ LOPES, grande artista que canta e encanta com seu talento como: cordelista, compositor, cantor, além de grande tocador, arranjador de violão gaita. Ele transpira arte...

Em julho de 2009, sua cantoria pousou por aqui, no Vaz de Lima: ouvidos atentos...

Seu canto fez Lucas, 04 anos de idade, sorrir, ao lado de D. Selma, sua avó. E quem será o outro?...

Cacá Lopes desperta nas pessoas o interesse pelo cordel: a arte que tanto ele divulga. O senhor José, muito interassado por tudo que se refira a Lampião, observa respeitosamente o livro e as histórias de Caca Lopes...

Muito mais sobre o trabalho de Cacá Lopes em:

E num gesto de cumplicidade: o artista Cacá canta pra outro grande artista. O rapaz, sentado, de camisa listrada, com óculos rayban, delicadamente tocado por Cristina Reis, sua esposa, ao lado de Pedro, o pupilo, e José, um leitor assíduo, é...

SÉRGIO SÁ, que traz na alma o dom de: compor, interpretar, escrever, além de ser "o músico". Autor de centenas de músicas imortalizadas na voz de Roberto Carlos, Simone, Tim Maia, Fábio Júnior, Chitãozinho e Xororó, sem falar de que já dividiu palco com Stevie Wonder.

Ufa, a bateria quase arriou. Mas os ouvidos presentes foram massageados pela voz suave, o canto doce, as letras de bom gosto, de Sérgio Sá, sempre bem assessorado por Cristina Reis, também compositora, e dona de uma bela voz, também...

Num momento mágico, Cristina lê, com docilidade trecho inicial do livro:
Feche os olhos para ver melhor, livro escrito por Sérgio Sá, lançado pela Sá Editora, do qual ele diz:

"Traz reflexões a respeito de como o poder da imagem acaba fazendo com que a gente atrofie os outros sentidos." "É a visão de mundo por alguém que não vê"...


Sérgio Sá tem a alma arejada por amplas janelas, das quais ele capta a essência do universo que o cerca, indo além das estrelas, planetas, sonhos, impressões, deduções, induções, interpretações, mas sem tirar os pés, fincados na Terra.

Ele transpira sensibilidade artística, em todos os sentidos. E isso é dom...de quem consegue transpor os Ecos do Amanhã, com serenidade e sabedoria:

Ecos do Amanhã: outro livro de Sérgio Sá. E tem um maravilhoso CD, de mesmo nome...

 É, nesse roteiro de hoje, no Jardim...que as pessoas encontraram o pote cheio de favos de mel, levemente embalados por uma finíssima chuva musical, no encontro de Cacá Lopes com Sérgio Sá...

Muito mais sobre o trabalho de Sérgio Sá em:


Até a próxima parada!!!
Ônibus-Biblioteca: onde se lê por prazer!!!

Um comentário:

  1. Naquele meio-dia garoento, estacionamos apreensivos; o ônibus parecia
    vazio. Poucas crianças escolhiam livros e quase nem perceberam nossa
    entrada.
    Acomodei-me, Pedro colocou os livros e CDS. Foi quando uma menina se
    aproximou curiosa perguntando:
    - Ele que escreveu estes livros?
    Sua irmãzinha também veio se achegando e logo um garoto, atraído
    pela conversa pegou num CD:
    - Ele é cantor?
    Em menos de 3 minutos eu já tinha uma platéia atenta de 5 crianças,
    com idades variando entre seis e dez anos, enchendo-me de perguntas:
    - Mas como é que o senhor escreve?...
    - E como é que toca teclado?...
    - O senhor é casado?, tem filhos?, mas precisa de alguém pra levar o
    senhor pela casa, né?...
    - E este óculos?, pra que é que o senhor usa?...
    A partir do meu livro (Feche Os Olhos Para Ver Melhor), escrito
    justamente para esclarecer sobre os problemas e complicações de quem vê
    e só acredita vendo, fui abrindo questões e fazendo a criançada perceber
    o quanto podemos compreender o mundo sem a visão.
    Meu celular, adaptado ao uso de deficientes visuais através de
    software especial, foi ferramenta importante para acentuar o valor da
    tecnologia em minha vida. "Quando eu tinha a idade de vocês, não contava
    com todas estas facilidades, tipo computador com programa falante ou
    celular onde posso fazer praticamente tudo que qualquer pessoa pode
    fazer".
    Minha platéia foi se alternando, mães de crianças e novos
    espectadores mirins iam e vinham, mas pude brincar com todos; fazendo,
    por exemplo, com que exercitassem seus outros sentidos: "Temos aqui uma
    garrafinha cheia dágua e um copo vazio. Sabem?, tenho 4 jeitos de encher
    este copo e saber quando está cheio sem precisar enxergar. Alguém pode
    me dizer quais são?...".
    Eles foram investigando, enquanto tentavam a proeza de olhos vendados
    e descobriram:
    - Bom!, à medida que enche, a mão vai sentindo um friozinho...
    - É só enfiar o dedo no copo e sentir se ta cheio!.
    - O peso do copo!, dá pra gente ir calculando...
    - O barulho que a água faz enquanto vai caindo!, vai ficando mais _
    fininho...
    O fato é que quase todos conseguiram encher até o topo sem derramar
    nada.
    Algumas mães e irmãos mais velhos também brincaram, estimulados
    pelas crianças:
    - Vai!, faz, mãe!, é mó da hora!...
    Assustado com a possibilidade de haver muita gente, era minha
    segunda experiência com as Oficinas, acabei me divertindo e comovendo
    com a receptividade daquelas menos de 15 pessoas, durante as duas horas
    de trabalho. Foram momentos gratificantes dos quais pude concluir que,
    às vezes, a qualidade da atenção supera a quantidade de espectadores,
    quando queremos mesmo passar algo interessante e enriquecedor.
    Tudo isso sem contar a curiosidade quase insaciável das crianças,
    sempre capazes de fazer as perguntas mais ingênuas, mais ricas... Eis aí
    uma porta, diria até um portal por onde a inclusão social terá livre
    trânsito, desde que seja explorado com consciência e sensibilidade.
    SERGIO SÁ

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